17 abril 2017

Sindrome de Sarah Baartman, a Inês Brasil da antiguidade


Alguém aí já ouviu falar na Síndrome de Sarah Saartjie Baartman? Não?

Antes que queiram me apedrejar, vamos retroceder dois séculos, e dar um tour pela história, em um caso tanto intrigante quanto chocante. 

Em 1789 nasceu no seio de uma família Khoisan, situada no vale do rio Gamtoos (África do Sul), uma mulher negra nomeada Saartjie "Sarah" Baartman. Sua vida foi marcada desde cedo com demasiadas penúrias. Ficando órfã na adolescência, continuou mantendo seu fiel desejo de construir uma família e seguir sua própria vida, começando então a trabalhar como empregada doméstica na Cidade do Cabo quando um colono holandês assassinou seu companheiro, com quem a mesma havia tido um bebê que também falecera logo depois.

Aos 19 anos de idade, Sarah foi pega como escrava e levada por Hendrick Cezar -- imão de seu proprietário, ao famigerado FreakShow (Circo de Horrores), com a justificativa, de que ficariam ricos com apresentações da mesma. *Adendo: Como boa parte das mulheres de sua tribo, Saartjie tinha imensas nádegas, hipertrofia conhecida como esteatopigia.

Nos shows, Sarah dançava em suas roupas justas que combinavam a cor de sua pele, com contas, plumas, e um cachimbo sempre em mãos; enquanto ganhava uma grana extra ao permitir que o público tocasse suas nádegas. Sua exibição chegou a sociedade filantrópica African Association, causando grande rebuliço. Foi lançado então vários processos nos tribunais contra a famosa escrava africana domada em palcos como uma mulher meio humana, meio animalesca. Ainda enquanto a mesma *garantia* em depoimentos não se considerar vítima de coação alguma. 

Em 1814, os revoltosos foram finalmente ouvidos. E o famoso show situado na Inglaterra teve de fechar as cortinas. Nessa época, o tráfico de escravos havia sido abolido pelo Império britânico, mas vale lembrar que a escravidão ainda tomava continuidade. Logo, Sarah foi levada à venda como prostituta/escrava pelo seu proprietário. Tornando-se posse de um francês famoso por domar animais. Sendo mantida em condições ainda mais degradantes e decadentes. 

Em Paris, cientistas do Museu de História Natural requisitaram ao dono de Sarah que fosse alugada para estudos. Sendo assim, exposta a multidões, incluindo outros cientistas e pintores, virando de fato uma personagem caricata. Sendo popularizada e apelidada de "Vênus Hotentote" enquanto saía em grandes tours pela Grã-Betanha e Irlanda. Termo usado pelos holandeses para descrever os Khoikhois e aos San, os principais membros de um importante grupo populacional africano, de onde a mesma se originou, os Khoisans.

Sarah tornou-se de fato uma celebridade. Mas sua fama não lhe garantiu a vida. Doente, viciada em álcool, drogas e obrigada a prostituição, Sarah morreu em 29 de dezembro de 1815, aos seus 26 anos, de doenças venéreas e pneumonia. Para não ter de pagar o enterro, seu proprietário vendeu imediatamente seu cadáver ao Musée de l'Homme. Onde além de serem feitos moldes de seu corpo em gesso, seus esqueletos e órgãos genitais foram conservados e mantidos em exposição até 1979.

Isso tudo me faz refletir sobre o atual estado do que chamamos de "entretenimento", e suas razões e consequências. Há algum tempo a forma como e a notoriedade é dada a determinados indivíduos, visto até mesmo, como símbolos, me desperta certa atenção e incômodo.

Inês Brasil acabou brotando no mundo dos memes principalmente por conta do público LGBT, passando a ganhar então, uma grande notoriedade nacional. Mas por que falar de Inês Brasil? Por que falar sobre alguém que é exposta frequentemente em exaltação do exótico e do bizarro como algo digno de graça e destaque? Por que falar de um símbolo desumanizado que (cá entre nós) não é, nem nunca foi levado a sério pelo seu corpo? Não seria de extrema incoerência, públicos ditados como minoria exaltarem uma representação contundente do que muitos dos mesmos se afirmam contra? Vide objetividade do corpo feminino, principalmente levando em pauta o corpo da mulher negra ser visto como um objeto em meio a suja sociedade capitalista?

Bem, eu não vim aqui levantar questões raciais, e quero deixar claro que não protagonizo nem que considero parte de nenhum tipo de movimento social (buscando inclusive, uma distância saudável dos mesmos). 

No início de sua popularização pelas redes sociais, muitos satirizavam questões mentais envolvendo a Inês. E querendo ou não, é algo a ser analisado. Lembrando: Sarah também acreditava ser beneficiada pela forma de exploração a qual era submetida. Já tendo exposto abertamente suas experiências passadas com uso de drogas (tal como o crack). Não precisamos ser especialistas para sabermos que o uso de tal substância afeta ferozmente o organismo a longo prazo; nem para notar sua fala dotada de uma desconexão sem tamanho, seus atos constantemente repetitivos e seu curioso repertório comportamental geral.

A Inês Brasil pode sim ser uma mulher dotada de um incrível carisma, humildade, dentre outras características, e quero frisar que venho aqui, não dizendo ser ela o problema. O problema está em toda essa espetaculização onde as pessoas se perdem e confundem o enaltecimento e a exposição de um ser humano como algo nada além de risível com "liberdade" e pseudo-aceitação social.

Agora, sejamos honestos.
No fim das contas, estamos rindo com eles?
Ou deles?

Fontes: 
Neopensador
Wikipedia
Acervo de tópicos da PAN (fórum dissertativo) - discussões de fãs acerca de Inês
BBC
Buzzsourhafrica
Ultimosegundo.ig
Loveandpop



14 comentários:

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  8. Muito legal o tutorial!
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  9. Como eu queria ter a míiiinima noção de lidar com HTML ))): e respondendo seu comentário, foi a Evelyn Regly que fez meu lay.


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  13. Eu não consegui personalizar a minha .

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