18 abril 2017

A tradição judaico cristã e sua série de privações


Dies irae, dies illa
Solvet Saeclum in favilla
 







Prometi para mim mesma não entrar aqui em quaisquer mérito religioso, até porque não penso em expor minha religiosidade. Mas até que dar uma de advogada do Diabo eventualmente não faz mal a ninguém, não é mesmo? Me peguei refletindo sobre todo ninho de toxidade na qual fui emergida durante boa parte de minha infância, adolescência, e principalmente pré-adolescência, em especial pela opressão severa que tive de enfrentar dentro da minha própria família. Ao longo dos meus invernos, leitura, conversa, percepção e vivência acabaram por gerar certo aprendizado e oportunidade de compreender e tirar minhas conclusões sobre meus redores.
E já que agora tenho um blog, acordei me perguntando
 Tem lugar melhor que esse para descarregar os infernos?

Sempre partilhei um imenso interesse por teologia e pelo estudo de religiões no geral, um dos motivos que me levaram a mergulhar de cabeça no ocultismo desde bem cedo. Portanto, não possuo nenhum problema com a religião cristã, e quero deixar isso bem claro antes de prosseguir com meu texto. Apenas penso que o prazer e a felicidade movimentam o ser humano, e tenho uma imensa relutância em simpatizar com religiões que insistem em dizer que os prazeres e a felicidade julgada "mundana" são pecados. Esse feito destrói o psiquismo humano de uma forma tão devastadora, que os privam do prazer e em muitos casos, da própria alegria, e pior que a privação, determinadas correntes religiosas (posso frisar como um ótimo exemplo o evangelismo) fazem-nas sentir culpa por se renderem ao prazer.

Os prazeres da carne tornam-se erroneamente abomináveis e a melhor diversão que se pode ter é murmurar para um babá cósmico, criado por eles mesmos (/error 404/as atualizações de eufemismo não foram atualizadas/). Segundo a tradição Judaica Cristã, que vem lá da bíblia no antigo testamento. Toda vez que alguém pecava tinha de ir levar um presente/sacrifício a Yahwen (ou Deus cristão, como preferir) e parte de todas as oferendas eram queimadas e outra parte comida pelos sacerdotes. Quem ganhava com isso? Os sacerdotes claro. É apenas um exemplo meramente reflexivo, sobre o quanto muitos viviam e ainda vivem em pró do pecado e culpa de muita gente. Para mim a culpa é um dos principais motivos que ainda mantém determinadas igrejas de pé. Pessoas vão se confessar e pedir perdão, e por isso tanta coisa é declarada pecado.

A culpa e a privação se tornam uma bola de neve tão grande que aos poucos a tristeza e infelicidade acabam por se tornarem consequentes. Fazendo surgir problemas na vida psicológica, social e até mesmo fisiológica do indivíduo. Como já dito, tive uma criação com base cristã, então durante bastante tempo pude estudar e observar de perto a religião e desde pequena, o evangelismo em especial sempre me foi um prato intragável, apesar do meu imenso respeito por diversas outras vertentes, essa sempre me soou como um belo de um chute no estômago. Quando você se rende a tudo(/qualquer coisa) julgada "errada" e "mundana", a situação piora, ainda te dizem que a culpa é sua. E novamente, esse feito gera um torpor tão tóxico, que acaba por te infectar, o fazendo sentir angústia, e procurar a dor como castigo ao seu ato que, perante deus, é algo inaceitável.



Já presenciei muitas pessoas esgotadas psicologicamente, sempre em busca de pôr algo no lugar daquilo que lhes foi privado pelas "leis" de sua religião, alguns casos até dentro de minha própria família. E só pude perceber que quanto mais o indivíduo oculte seu verdadeiro Eu, seus verdadeiros prazeres, tudo aquilo permanece nele. Às vezes isso se transforma num problema cardíaco, na insegurança, na incapacidade de resolver problemas, etc. Pense comigo, é como prender um animal selvagem em uma jaula pequena e com largas grades, que que permitem que o animal ponha um dos braços/pernas para fora, e consequentemente esse membro acaba o afetando (diretamente).

É como tirar o brinquedo de uma criança, ela vai chorar em desespero, e só isso já comprova o óbvio "Não há prazer sem o verdadeiro prazer." E prazer é algo tão subjetivo..a diferença é que as crianças não possuem cognitivo elevado, pois ainda estão em desenvolvimento, já os adultos, compreendem, mas ainda sim, se permitem terem seus "brinquedos" tirados. Um adulto sem seu brinquedo não vai chorar, e sim forjar uma alegria. Jogar tudo para debaixo do tapete apesar de no fundo de sua mente saber que não está feliz, mas a instituição religiosa ou aquele que lhe retirou o prazer insistirá em lhe convencer que é melhor assim. Ou, de modo mais impactante, lhe dirá que você irá para o inferno se não manter longe os seus desejos; os seus verdadeiros “brinquedos”, a sua verdadeira alegria.

Há o aqui, e o agora. E carregamos conosco desejos, necessidades, anseios, então por que não satisfazer isso? Enfim. Leitura, conversa e observação ajudaram na formação do meu ponto de vista. Sou aberta a debates, sejam eles contra ou pró minha ideia. Portanto, comentários e opiniões serão bem vindas, desde que acompanhadas do uso do bom senso, e respeito acima de tudo.

Por hoje é só.



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