29 março 2017

Dreads como apropriação? - A realidade fragmentada pelo pós modernismo

Representação ilustrativa de um Aghori, créditos na imagem.
Oi. Cheguei um pouco atrasada para comentar esse fato não tão pouco recorrente, mas como penso ser a informação algo essencial, tirei um tempinho para analisar o tema. Com uma dose de pesquisa, descobri algumas informações interessantes, das quais penso ser aqui um ótimo local para o compartilhamento, afinal, agora eu finalmente tenho um espaço fixo para meus escritos.


  • Foi estabelecido na Etiópia, em 1895 pelo Papa Leão XIII o Patriarcado Católico Copta, onde os padres já faziam o uso (não provido do sacerdotismo, e sim estético) dos dreads
  • Não posso deixar de mencionar aqui que os Aghori Sadhu (até pelo meu amor a Índia), que vagueiam o subcontinente indiano como andarilhos, e rejeitam todos seus bens materiais, se alojando em locais sagrados ao Deus Shiva (pois são fiéis devotos do mesmo) também possuem seus cabelos emaranhados em homenagem a Deidade. Ou seja, os dreads sempre estiveram presentes nesses povos.
  • Em função dos cabelos embaraçarem naturalmente quando não cuidados, os humanos pre-históricos, antes das invenções de pentes ou utensílios parecidos, também usavam seus cabelos bem semelhantes ao que hoje conhecemos como dreadlocks.
  • Os dreadlocks eram usados de forma tradicíonal pelos sacerdotes astecas, nos séculos XIV e XV, inclusive existem provas arqueológicas de múmias encontradas no Peru mais ou menos entre 200 e 800 D.C que faziam o uso do mesmo.
  • Os dreadlocks também não são originários da Jamaica, mas são usados frequentemente pelos Rastafáris. Para o verdadeiro rastafári, não cortar os cabelos é como um tributo à Deus(Jah). Pois eles acreditam, assim como determinadas vertentes cristãs, que o crescimento natural é um preceito bíblico (de acordo com Levítico 21:5).
  • Os cabelos crescidos em mechas densas são usados na África e na Índia, desde a antiguidade pré-Bíblica.
  • Na África, muitas tribos tais como os Masai, do Kênia, utilizam o dread até hoje. Muitas vezes, os tingindo de vermelho usando corantes extraídos de raízes. (Etc)
Visto que a cultura humana é demasiadamente dinâmica, querer se "apoderar" de um penteado ou uma peça de vestuário, ou ditar quem pode ou não fazer uso do mesmo não seria uma visão fragmentadora que levanta, ao invés de derrubar, mais e mais barreiras entre os mais diversos povos e pessoas? O pós modernismo acaba por fragmentar a realidade de tal forma, ao ponto que todo embasamento histórico, e tudo que engloba a essencialidade social, é deixado de lado dando lugar a meros palpites baseados em achismos pessoais totalmente falhos e desonestos.

Sou aberta ao debate, e argumentos contra e a favor serão bem aceitos.
(se acompanhados do respeito)


Um comentário:

  1. Só tenho a concordar! Acredito que embora a popularização tire um pouco do significado devido a certa "banalização", acaba trazendo consigo uma aceitação melhor, e consequente redução dos pré-conceitos...

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