17 março 2017

Review:The other side of the door

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Postagem livre de spoilers
Para quem gosta de fugir dos clichês, trago hoje uma boa indicação. Como alguém apaixonada pela cultura e mitologia indiana, não pude deixar esse filme de fora da minha lista de preferidos. Dirigido pelo britânico Johannes Robert, The other side of the door é um filme ambientado na índia, que transpassa ótimos sustos.
Sobre o Filme
O filme começa contando a historia de Maria, uma mulher ainda desconsolada pela trágica e traumática morte de seu filho Oliver, que se afoga durante um acidente de carro. O passado doloroso vivenciado pela protagonista, coincide com o de sua empregada, Piki, que também perdeu sua filha em um acidente envolvendo água, e em uma tentativa de conforta-la, Piki lhe conta sobre um templo abandonado em sua aldeia remota onde por meio de um ritual de necromancia, os mortos podem ser trazidos de volta e ouvidos por trás da porta do templo, onde você deve espalhar as cinzas dos mortos nos degraus a sua frente, e esperar pela noite, para por fim contatar o falecido e ter a chance de dizer um adeus e/ou conseguir de algum modo, um encerramento. Portanto, uma regra jamais deve ser quebrada: a porta não deve ser aberta.

Maria ainda que desacreditada, vê nas palavras de Piki sua última esperança e chance de despedida de seu falecido filho, e ao se deparar com a funcionalidade do rito, a mulher deixa-se guiar pela sua emotividade e imaginação de que poderia trazer seu filho de volta, abrindo por fim a porta, e consequentemente, o portal que liga o mundo dos mortos e dos vivos.

assista ao trailer

Curiosidade
O templo mostrado no filme não existe de fato, porém temos um que se aproxima do que é exibido, e quem sabe não tenha rolado uma pontinha de inspiração vinda de lá!? 
Cito nada mais, nada menos que Mehandipur Balaji, um templo indiano dedicado ao deus-macaco Hanuman  uma das manifestações de Shiva, conhecido também por Balaji, recebendo milhares de pessoas diariamente, em especial nos sábados e aos domingos. Onde as mesmas buscam ajuda para o afastamento de maus espíritos e libertação das próprias angustias, fazendo oferendas de arroz e urad ao deus Hanuman.


Templo Mehandipur Balaji

Não para por aí..


Descrito muitas vezes pelos visitantes de maneiras tanto curiosa quanto excêntricas, Mehandipur é reconhecido pela sua série de exorcismos, e relatos de que homens e mulheres, de maneira ritualística, batem suas cabeças contra as pilastras locais e jogam sobre si mesmos água quente sem sentir quaisquer dor.

Jai Shree Raam
Jai Hanuman

A entidade
"Myrtu é como uma mãe leoa que mantêm os limites com ferocidade. É uma personagem poderosa, violenta, mas finalmente triste . " - Botet 

A criatura do submundo denominada Myrtu é uma entidade de quatro braços descrita pelo seu ator interpretativo Botet, como "uma caçadora, e ao mesmo tempo uma vítima", que sofreu visíveis inspirações na conhecida deusa Kali do panteão Hindu – a deusa da Morte e do Tempo, que dança sob os campos crematórios, ou àquela que rasga o véu das ilusões e ensina que devemos dançar com nossos medos. Sendo a portadora da morte e da vida, Myrtu controla e puni os seres humanos que tal como Maria, desobedeceram à regra primordial do rito de jamais abrirem a porta.

Kali - autor da ilustração é desconhecido.
"Burn with the fire that you long to be consumed by."
Om Klim Kalika-yei Nahama
Jaya Jaya Ma Jaya Kali ma
A presença dos Aghoris Sandhus


Ao pressentirem a fúria de Myrthu, os Aghorispresença impossível de se ignorar, além de terem tornado o filme ainda mais único e especialmente incrível (em minha humilde opinião), em uma tentativa de ajuda e alerta ao perigo encontrado, tentam fazer uma limpeza no ambiente onde reside a protagonista, sendo infelizmente expulsos por ela. O que mostrou bem a rejeição e o temor (infelizmente) muito presente na índia quanto aos mesmos.

Os Aghoris são monges andarilhos devotos do deus Shiva, muito conhecidos e temidos pelos costumes e hábitos descritos como exóticos e "extremos", tal como o necro-canibalismo e o costume do uso da Kapala, uma taça/tigela feita com crânios humanos coletados do Rio Ganges. E apesar da má fama dos mesmos pela falta de compreensão e medo vindo dos próprios indianos, os Aghoris são curandeiros constantemente convocados se tratando tanto da saúde física, quanto da espiritual, com uma visão de vida totalmente filosófica que carrega um encanto tão grande quanto sua famosa excentricidade, não quero me prolongar aqui, mas vocês podem encontrar aqui maiores informações sobre os mesmos de uma fonte confiável.


O filme
Vocês podem assistir o filme diretamente no player abaixo, ou na Netflix em melhor qualidade.


Deixem suas opiniões e considerações abaixo, esperam que tenham gostado do primeiro review do blog.



Um comentário:

  1. Amiga, obrigada por esse post! Tô sempre postando os filmes de terror que gosto, mas é tão difícil sabe? Sou tão crítica! Sempre procurando um novo Freddy Krueger ou algo que supere O Chamado hahahaha
    Tô muito curiosa e pode apostar que vou assistir esse fim de semana, vou até colocar teu post nos favoritos pra eu não esquecer!

    Sucesso, beijos e um final de semana mágico!
    Com carinho, Menina Borboleta
    http://meniborboleta.blogspot.com.br/

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