26 maio 2017

Top 3: Músicas experimentais que tocam a alma

The dance macabre

Já pararam para pensar sobre o quão cômico é o fato de que gastamos a maior parte do tempo tentando descobrir as coisas ao invés de simplesmente apreciá-las visualmente? 

Hoje me recordei de uma curta seleção musical experimental feita por mim anos atrás em uma rede social há muito esquecida. E me perguntei, porquê não trazer o registro delas pra cá!? E é exatamente isso que venho fazer. Espero que também possam tocar a alma de vocês do mesmo modo que tocaram a minha.

1. Pagan Poetry - Bjork

Este vídeo é uma grande desconstrução. O que acaba fazendo dele algo muito chocante e especial. A ideia sobre sexualidade, auto-mutilação estética, e ao mesmo tempo, feminilidade foi tão perfeitamente exposta nesse clip. Sem falar na sexualidade, claramente expressa no rosto de Björk, em sua expressividade. É algo que pode ser facilmente percebido, se for bem absorvido. Uma nudez de emoções, que acaba por emocionar mais que qualquer nudez física. É o pico desta obra de arte. 


“And he makes me want to hurt myself again.” 

Tamanha emotividade, expressando da maneira mais intensa possível o desejo de perde-se em alguém - a ponto de só esse alguém poder lhe machucar. E no final das contas, o amor é isso. Você da o poder à pessoa, e o máximo que pode fazer, é esperar que ela não o use. Por fim, esse vídeo demonstra justamente o que a arte deve ser: uma resposta terrivelmente bonita ao terror de amar. E uma vez que o amor é uma emoção simples e poderosa, sua resposta deve ser simples e poderosa também. Deve-se em outras palavras, ser uma forma de Pagan Poetry. 



2. Unravel - Bjork


Já esta seguinte, eu prefiro não ousar descrever-la, pois ela já o faz muito bem. E desde a primeira vez que tive o prazer de ouvi-la, me encontrei por muitas vezes chocada pela identificação. Ela trás para mim a ideia de se filosofar com o martelo. Algo que precisa ser quebrado por completo para que haja uma re-construção, para que exista um futuro, uma continuidade. O que me lembra um bocado Nietzsche em Crepúsculo dos Ídolos. A coragem de partir para destruição de tudo que tenha se construído, de alguma forma, iconoclastra. 

"When you come back, we'll have to make new love"


3. No Light - Florence


Por último, mas não menos importante...
"I never knew daylight could be so violent. 
A revelation in the light of day.  
You can't choose what stays and what fades away. 
And I'd do anything to make you stay 
No light, no light..  
Tell me what you want me to say."
Se eu precisasse descrever essa música em duas palavras, certamente usaria "frustração" e "fragilidade". A intensidade dramática da música, como Marc Hogan já comentou: "cruza a linha entre o êxtase espiritual e a energia imprudente". Arrisco dizer que talvez seja o que a faz tão única e absurda.


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